Jan Balder – Breve resumo
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  1. #1
    Triciclo a Pedais Clássico Caldeira's Avatar
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    Por Defeito Jan Balder – Breve resumo

    Nota prévia: este resumo da carreira do piloto foi feito por mim, baseado numa pesquisa da net. A fonte principal da pesquisa vem mencionada no fim do mesmo. Tenho em meu poder um mail do próprio que me autoriza a divulgar tudo o que se refira à sua carreira, nomeadamente as fotos que acompanham este post, que apesar de terem sido retiradas do mesmo site, foram cedidas pelo Jan Balder.


    Trago este piloto a este espaço, porque apesar de 3 fugazes passagens por Portugal, um TAP e duas edições das 6 Horas de Nova Lisboa, é um piloto de reconhecidos méritos e que achei interessante divulgar. Confesso que nem eu fazia ideia da carreira deste piloto, mas como ele apareceu num outro fórum, resolvi publicar o resumo que se segue, sem mais demoras:



    Jan Balder nasceu na Holanda, em Amsterdão, no dia 21 de Junho de 1946. Com 8 anos de idade, o seu pai, Antoni Balder, engenheiro da fábrica de aviões Fokker foi transferido para o Rio de Janeiro. Mesmo após a saída da empresa do Brasil, a família Balder, junto com o padrinho do jovem Jan, Otto Kuttner (funcionário da Fokker), decide ficar no Brasil.


    Em Junho de 58, já em São Paulo, o seu padrinho leva-o a Interlagos para assistir às “Duas Horas de Velocidade” e a sua vida muda:
    “- Eu, com 10 anos estava em êxtase, foi paixão à primeira vista, os pilotos se transformaram em meus heróis”

    Rapidamente passa a acompanhar, á saída da escola, todas as tardes, os treinos e testes em Interlagos, fazendo amizade com os pilotos da época, inclusivamente do seu ídolo Chico Landi. Daí a passar a cronometrista foi um passo. Reza a lenda que em 1959, em Minas Gerais depois de uma vitória de um dos “seus” pilotos, estando num restaurante a comemorar a mesma, Jan pediu uma omelete, que veio enorme. Quando alguém perguntou quem era aquele garoto de 13 anos, o preparador Sérgio “Cabeleira” respondeu:
    “ – É o papa-omelete!” Ficou até hoje!!!!



    Em 1964 (o meu ano), começou a fazer corridas com uma moto de 75 cc em Interlagos. Em 3 corridas ganhou a classe em duas delas. Nos treinos para a 4ª prova (Santos) bateu num camião que atravessou a pista improvisada e partiu vários osssos, ficando “encostado” por uns tempos. Apesar disso, ganhou uma prenda dos pais, um DKW, com que começou, assim que pôde, a correr em ralis.


    A primeira corrida



    Em 1966, com 20 anos estreia-se nas corridas e, apesar de ser desclassificado na 1ª prova por não ter os travões a disco homologados (ganhou na pista), fez ainda mais 4 provas e é considerado pela prestigiada revista 4 Rodas, o piloto Revelação. Fruto dessa boa época de estreia, surge um convite de Emerson Fittipaldi para correrem as VIII Mil Milhas. Ao volante de um DKW Malzone, depois de uma má largada, a 20voltas do fim o Karmann Ghia de José Carlos Pace e “Totó” Porto desiste e a dupla assume o comando para, na volta seguinte o perderem quando um cilindro deixou de funcionar. Mesmo assim, terminam em 3º.

    O DKW Malzone



    A partir daí, e para não me tornar muito maçudo, Jan Balder correu em ralis, karts, Formula Vê e, claro em velocidade. Em 1968, faz a sua primeira incursão ao estrangeiro, nas “6 Horas de El Pinar” no Uruguai. Vence a classe de 1.0 litros.

    Em 1969, começa a trabalhar na Pirelli fazendo testes de pneus e na revista Autoesporte, onde testa e faz avaliações de técnicas de carros e motos. Isto, com a idade de 23 anos...

    Entretanto vem estagiar na Pirelli italiana, aproveitando para visitar o seu amigo Emerson que já despontava na Europa como um grande piloto.

    Em 1970 junta-se á equipa “Casari/Brahma” disputando algumas provas com o Lola T70 de Casari. A próxima incursão de Balder pelo estrangeiro acontece em território português: participa com Alfred Maslowski no Rali TAP de 1971 ao volante de um Puma, mas com pouca experiência neste tipo de ralis e quase sem ajudas, optam por desisitir.

    No Rali TAP de 1971, com o Puma em 1º plano



    Seguem-se as 2 participações já aqui anteriormente mencionadas nas Horas de Nova Lisboa, a primeira no citado Lola T70 que viria a ser destruido num incêndio em Interlagos. Na edição de 1972, alinham num Porsche 907 alugado pela organização aà equipa Wicky. Nova desistência, mas ficou a presença e os relatos elogiosos.

    Nas 6 Horas Internacionais de Nova Lisboa



    De volta ao Brasil, sagra-se campeão brasileiro na categoria esporte nacional (Divisão 4). Em 1975, ei-lo novamente campeão, desta vez paulista e vice-campeão brasileiro na categoria de protótipos até 2.0 com um Polar/VW de 1950 cc.


    A partir do seu casamento em 1976, deixa de competir com regularidade, passando a chefiar equipas de fórmulas, levando José Pedro Chateaubriand e António Castro Prado a campeões brasileiros. Dedica-se ainda a construir carros de Fórmula 2 (brasileira, suponho), e em 1983 é convidado pela Ford brasileira(?) para desenvolver a versão de competição do Escort, regressando após 6 anos às corridas. Em 1984, repete a dose com o modelo Voyage da VW, correndo o Campeonato Brasileiro de Pilotos, juntamente com Fausto Dabbur. Data de 1986 a sua ultima participação como piloto nas 12 Horas de Porto Alegre.

    Daí até agora, tornou-se organizador de ralis, comentador radiofónico de automobilismo e lançou uma biografia intitulada “Nos bastidores do automobilismo brasileiro. Porquê tantas vezes campeão?”, que precisa urgentemente ser editada em Portugal!


    Deixo de lado uns pormenores insignificantes (vitórias, títulos) para não me alongar muito.

    Fonte: http://www.bandeiraquadriculada.com.br/Jan%20Balder.htm
    Alexandre Caldeira



  2. #2
    Moderador Geral asperezas's Avatar
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    Por Defeito Balder e o T70 "encrenquinha"

    Esta, é uma daquelas crónicas que dá gosto ler e reler.

    Do T70 que foi ao Huambo, conta-se que renasceu das cinzas há pouco tempo. Conta-se, porque eu prefiro dizer que é outro, novo, com alguns gramas do 1º...
    http://forum.motorclassico.pt/image.php?type=sigpic&userid=8904&dateline=1232586  232

  3. #3
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    Por Defeito

    Descobres cada um...

    É muito interessante porque eu não conhecia este piloto. É uma opção válida esta de apresentar pilotos relactivamente desconhecidos. Dentro deste espírito, um dia destes vou falar do Lillebror Nasenius, o ás dos Opel Rekord nos ralis internacionais !!!
    Última edição por Ricardo : 31-10-2008 às 11:34
    Voltei...

  4. #4
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    Por Defeito

    Jan Balder, Lillebror Nasenius... nomes da minha juventude! Já agora, conhecem por acaso um senhor chamado Tom Trana? E uma senhora que dá pelo nome de Pat Moss (Carlsson)? E talvez o Eugen Böhringer, ou o Arnaldo Cavallari?

    Estes dois últimos conheci-os por breves momentos aqui no Porto, era eu miúdo...

  5. #5
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    Por Defeito

    A propósito, a Pat Moss faleceu no dia 14 de Outubro de 2008, vítima de doença prolongada.

    Resumidamente, a irmã de Stirling Moss nasceu em 27 de Dezembro de 1934 em Thames Ditton, no condado de Surrey, UK, e após uma carreira com cavalos, começou a correr em ralis pela mão do namorado (Ken Gregory, o manager do irmão), em 1953, com um Morris Minor. No ano seguinte adquiriu um Triumph TR2. Entrou para a equipa oficial da BMC em 1955, onde alinhou com um MG TF 1500 e trouxe grandes dividendo publicitários à marca.

    4º lugar absoluto no RAC de 1958 (Morris Minor), venceu o Liége-Roma-Liége de 1960 à geral, com um Austin Healey 100. Foi o primeiro triunfo de uma senhora num rali internacional. Ficou também em 2º no Coupe des Alpes do mesmo ano.

    Em 1962 ficou em 3º no Safari com um Saab 96. Ficou também no 3º posto da geral no RAC, com o Healey. Ganhou o rali das Túlipas, na Holanda, o primeiro triunfo internacional de um Mini. No ano seguinte passou para a Ford (6º no Acrópole, com Cortina Lotus) e casou com Eric Carlsson, piloto... da Saab. Em 1964 correu na equipa da Saab (ai amor, amor...) e conseguiu o 3º absoluto no Acrópole. Correu com um Lancia Fulvia em 1968 e teve uma filha em 1969, causando um maior afastamento dos ralis, (mesmo assim ficou em 10º no Monte Carlo de 1972 com um Alpine A110) e acabou por se retirar em 1974. Venceu 5 títulos de Senhoras no Campeonato Europeu de Ralis.

    Muito mais haverá para dizer, mas pelo menos fica o essencial, para quem não viveu a época desta primeira "Michele Mouton".
    Voltei...

  6. #6
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    Por Defeito

    Quanto ao Nasenius, entre outros feitos, o piloto oficial da Opel cometeu a proeza de vencer o Grupo 1 no Rali dos 1000 Lagos de 1966 e no rali de Monte Carlo de 1967, ao volante de um Opel Rekord 1900. Para quem já guiou um bicho desses, é de ficar de boca aberta...

    Curiosamente, são muito escassas na net as referências à vida e à carreira deste piloto.
    Voltei...

  7. #7
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    Por Defeito

    Parabéns ao meu querido Amigo Alexandre que, numa homenagem ao Jan Balder publicou esta excelente biografia de um homem que, ainda hoje, dedica grande entusiasmo aos automóveis.

    Permito-me fazer uma pequenina correcção ao mesmo tempo que acrescento dois pequenos apontamentos.

    A rectificaçãozinha é que a participação do Jan no Rali TAP foi após a sua primeira presença nas “6 Horas”.

    O primeiro apontamento è a respeito da sua desistência do TAP em que, fazendo alusão aos estreitos caminhos que atravessavam as localidades, ele me dizia: “Isso de se abrir a porta do carro e entrar na casa do vizinho não dá”.

    O segundo apontamento diz respeito à sua deslocação ao Uruguai para disputar as “6 Horas de El Pinar” que ganhou na classe de 1,0 l.

    Na altura, vivia-se no Brasil uma luta intensa entre o ACB – Automóvel Clube do Brasil e a CBA – Confederação Brasileira do Automobilismo que muito prejudicou os pilotos brasileiros.

    O ACB estava nas mãos dos generais com muita política e nada fazendo em prol do desporto automóvel, mas que estava filiada na FIA.

    A CBA, criada em 1961 por Wilson Fittipaldi não se poupou a esforços para juntar as federações existentes.

    Como quem passava as licenças internacionais era o ACB e vendo que não conseguia a sua licença através dele, o Jan contactou o Automóvel Clube do Rio Grande do Sul que se encontrava filiado na CBA e no ACB.

    Ali, disseram-lhe que faziam o que mais convinha ao desporto automóvel e que fosse tranquilo pois tinha a garantia deles pois representar o Brasil no desporto estava acima de qualquer politiquice.

    Após a sua excelente vitória, alcançada no Uruguai, o Jan foi visitar o Automóvel Clube Paulista pensando que seria bem recebido, mas só não foi agredido porque existia uma mesa de permeio.

    Esta triste luta entre desportistas e políticos, tão prejudicial não só para os pilotos como para o desenvolvimento do desporto automóvel brasileiro, só terminou em 1969 quando o processo foi arquivado graças à valiosa ajuda de Norman Casari e de Amadeu Girão que assumiu a presidência da Confederação Brasileira do Automobilismo e que também tive a honra de conhecer pois esteve em Nova Lisboa a meu convite para desempenhar as funções de comissário desportivo nas “6 Horas” de 1972.

  8. #8
    Triciclo a Pedais Clássico Caldeira's Avatar
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    Por Defeito

    Acabei de fazer um upograde no meu 907, 910 qualquer coisa (eu tenho as fotos que é o que interessa): incorporei-lhe umas jantes Minilghts e vou correr à mítica pista do Gring. Só preciso de achá-la.... a pista.
    Alexandre Caldeira

  9. #9
    Triciclo a Pedais Clássico Caldeira's Avatar
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    Por Defeito

    O meu último post, é mais uma espécie de "private joke". Pode não ter muita graça, mas o meu sentido de humor é assim um bocado........... desenkardido!!!

    Ah! E sou rigorosamente abstémio. Infelizmente, por motivos de saúde só posso beber bebidas cocacólicas ou pepsicólicas, tanto faz. Bebo do que houver, não sou esquisito. Desde que me mantenha desenkardido...

    Agora, vou só ali ao lado fazer uma pergunta e depois vou dormir para amanhã poder ir gerar riqueza e subsidiar desocupados.
    Alexandre Caldeira

  10. #10
    Administrador Adelino Dinis's Avatar
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    Por Defeito

    Caríssimo Alexandre,

    gostei muito deste seu tópico e adorei as fotos.

    Fez bem em não juntar o email, que não é necessário.

    E aprecio o seu estilo, que vem trazer originalidade e boa disposição a esta bela secção sobre Angola - onde também vivi, de Março de 1973 a Outubro de 1975.

    Obrigado.

  11. #11
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    Por Defeito Um puro-sangue na África

    Transcrição lida em 2007 numa homenagem a Armando Lacerda, retirada de uma revista.

    Entretanto, muita conversa e muitas histórias já foram trocadas e contadas...

    ---------------------------><---------------------------

    Em 1972, Jan Balder participou de uma corrida em Nova Lisboa (atual Huambo), em Angola — então
    colônia portuguesa. Ele relembra sua atuação na única vez em que pilotou um Porsche.

    Texto: Jan Balder

    "Em 1972, fui convidado para disputar, em dupla com Norman Casari, a segunda edição da Seis Horas de Nova Lisboa, em Angola, na África portuguesa.
    Havíamos estado lá no ano anterior, mas problemas mecânicos em nossa Lola T70 não permitiram alinhar na corrida. Semanas depois, em Interlagos, ela foi destruída pelo fogo na curva 3 de Interlagos, quando era pilotada pelo próprio Norman.
    Estávamos sem carro, mas os simpáticos organizadores portugueses em Angola alugaram um Porsche 907 de uma equipe suíça. Fiquei entusiasmado: eu nunca havia sentado em um Porsche de corrida. A equipe, Wicky Racing Team, era particular e tinha três Porsche – exatamente os modelos de corrida da marca que existiam no Brasil: 908, 910 (iguais aos utilizados pela equipe Hollywood) e 907 (de Angi Munhoz e Freddy Giorgi). Depois de recepcionados pelo proprietário da equipe, André Wicky, fomos à oficina para ajustar pedais,
    banco e outros detalhes do Porsche 907.
    O carro havia participado da 24 Horas de Le Mans e de lá, segundo Wicky, foi
    para Stuttgart para uma revisão geral. O carro estava imundo e aproveitamos para limpá-lo. Seguimos para o circuito de rua, o mesmo traçado do ano anterior.
    Norman saiu para “pegar a mão” da pista e, para espanto de
    todos, estabeleceu um incrível recorde de volta – os cronometristas erraram nosso tempo em 10 segundos. Girão pediu para ficarmos calados e André Wicky pediu uma reunião conosco.
    Ele se entusiasmou tanto que queria mudar as cláusulas do nosso contrato para ficar com o prêmio de chegada, caso houvesse. Neguei e disse-lhe que o direito do prêmio era do Automóvel Clube de Huambo, que havia alugado o carro.
    No segundo treino, encurtamos a relação de câmbio e melhoramos o nosso tempo real, ficando em quinto lugar no grid, em meio a alguns veículos de maior cilindrada.
    Na volta de apresentação, o pneu traseiro vazou e a equipe o encheu com um produto de vedação, novidade na época.
    Norman largou muito bem, mantendo a quinta posição e sendo o melhor Porsche na corrida. Depois, assumi o volante e, com quase metade da prova, começou a jorrar óleo no pára-brisa. A luz de pressão começou a acender e parei no box. O reparo foi feito com uma cola no radiador, e era difícil
    acreditar que vedasse em dia de forte calor. Mas o robusto motor resistia bravamente e continuei na corrida, tentando recuperar a quinta posição.
    O suave ruído do motor de 2 litros e 4 comandos girando a 8.000 rpm (limite estabelecido pela equipe) era muito agradável.
    O câmbio de 5 marchas era de engate curto e rápido, e os freios eram ótimos para aquele circuito de baixa velocidade que exigia muitas freadas. Não acreditava que estava sentado em um Porsche puro-sangue de corridas.
    Lá pelas tantas, na curva mais lenta do circuito, feita em primeira marcha, o carro deu uma ligeira atravessada, apontou com o pneu de dentro para a ponta da guia e bati.
    Resultado: pneu murcho, barra da direção quebrada e, pior, o volante de direção girou na minha mão e meu dedo virou uma bola. Doía bastante e me arrastei até o box, onde constatei que o pneu traseiro (o mesmo que murchara na largada) também estava “no chão”. Isso explicava a saída de trajetória naquela curva.
    Fiquei chateado porque o Norman havia andado o fino e eu joguei a corrida fora.
    Ficou a enorme satisfação – e a saudade – de pilotar o Porsche 907."



    Jan Balder foi piloto, construtor de carros de corrida, chefe de equipe e jornalista. É autor do livro “Nos bastidores do automobilismo – Por que tantas vezes campeão?”.
    http://forum.motorclassico.pt/image.php?type=sigpic&userid=8904&dateline=1232586  232

  12. #12
    Triciclo a Pedais Clássico Caldeira's Avatar
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    Por Defeito

    Vamos lá falar de clássicos e deixemos as provocações, que eu curo dores de cabeça com Bru**n (passe a publicidade). Alemão para mim, só o Porsche... Falando em Porsches, conto ir no próximo mês ao magnífico AIA, ver um amigo testar um 997 GT3. Depois deixo o link do relato, visto ser um carro recente. Ah, já me esquecia, o Porsche com que o Balder correu em Nova Lisboa (ainda não foi no Gring) era mesmo um 907, não era um 910:




    Facto facilmente comprovável e pacífico é o ser um carro preparado pelo Wicky. Todos os carros dele tinham as decalcomanias a indicarem a procedência. Todos? Não, menos um que teimosamente resistiu à "invasão" e se manteve irredutível, graças a uma poção que uns diriam mágica... Tão mágica e secreta que só viu a luz (ou será Miniluz?) do dia há pouquíssimo tempo, provocando uma autêntica caça ao tesouro. Eis o 910 (será?) "irredutível":
    Última edição por Adelino Dinis : 28-11-2008 às 10:29
    Alexandre Caldeira

  13. #13
    Carrinho Rolamentos Clássico
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    Cool BMW do Jan Balder

    Boas

    Já descobri uma série, reduzida, de fotos do BMW, mas vou continuar a procurar, para depois pedir ao Adelino para as colocar aqui no Fórum, para que o Jan as comente.

  14. #14
    Administrador Adelino Dinis's Avatar
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    Por Defeito

    Citação Originalmente Colocado por Joaquim Oliveira Ver Post
    Já descobri uma série, reduzida, de fotos do BMW, mas vou continuar a procurar, para depois pedir ao Adelino para as colocar aqui no Fórum, para que o Jan as comente.
    Ok. Conte com isso.

  15. #15
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    Por Defeito

    Citação Originalmente Colocado por asperezas Ver Post
    Transcrição lida em 2007 numa homenagem a Armando Lacerda, retirada de uma revista.

    Entretanto, muita conversa e muitas histórias já foram trocadas e contadas...

    ...
    Queria acrescentar o seguinte:
    -A homenagem foi organizada pelo Alexandre;
    -O contributo aqui expresso, foi enviado por via de um amigo de Balder;
    -Balder, que é uma pessoa de trato acessível, conversa desde então com muita saudade, com vários intervenientes das histórias aqui contadas;
    -Daí ter havido este interesse em dar a conhecer Balder e Casari, que um dia levaram o único T70 que passou por Angola e que depois foram convidados pela organização das 6 horas.
    Última edição por asperezas : 04-12-2008 às 03:56 Razão: acrescentar em x d acrestar
    http://forum.motorclassico.pt/image.php?type=sigpic&userid=8904&dateline=1232586  232

  16. #16
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    Por Defeito o "encrenquinha"

    Esta é a história por trás da participação daquele que foi durante muito tempo, o "carro fantasma" das corridas de Angola.

    Quando apareceu uma "estória" sobre o T33 de Peixinho numa revista francesa, contava-se que ao lado do T33, repousavam outros carros de corrida desse tempo, incuindo um Lola T70.
    Acontece, que apareceram também num site com imagens de corridas em Angola, um T70 laranja-avermelhado, que não constava em qualquer lista de resultados de corridas...

    Portanto, o conjunto de vários erros de interpretação levaram à mais confusas especulações...

    Até que Armando Lacerda contou a história abaixo:

    A primeira equipa estrangeira a ser contactada para correr nas “6 Horas Internacionais de Nova Lisboa” de 1971 foi a de Norman Casari e Jan Balder com um Lola T/70.
    E… assim nos aventurámos a levar um carro do Brasil para Nova Lisboa, por via marítima, sem fazermos ideia onde nos estávamos a meter, pois tudo correu mal e fazer chegar o carro ao Huambo foi uma carga de trabalhos.
    Naquela altura as comunicações telefónicas de Angola para o Brasil eram péssimas e as poucas tentativas que fizemos para falar com o Norman mal resultavam, pois não ouvíamos nem metade das palavras e as poucas que chegavam mal se percebiam.
    Assim, as peripécias começaram por o carro, em vez de ter sido despachado para Angola, ser enviado para a Cidade do Cabo, na África do Sul.
    Depois de vários contactos, lá conseguimos que o carro fosse metido noutro barco da Cidade do Cabo para o Lobito.
    Entretanto, mesmo antes dele, chegava a Nova Lisboa o mecânico da equipa para afinar aquilo que ainda estava noutro país.
    Por fim, o carro lá chegou ao Lobito e dali seguiu para Nova Lisboa em cima de uma camioneta.
    Mal ali chegou e quando pensávamos que os problemas se encontravam resolvidos, verificou-se que uma caixa com vários “rapports”, demais sobresselentes e ferramenta tinha ficado esquecida na Cidade do Cabo.
    Mais uma dor de cabeça.!
    Cometemos o “feito” de, num domingo (dia sagrado na África do Sul destinado ao descanso total), termos conseguido falar com o cônsul de Portugal na Cidade do Cabo, interessá-lo pelo problema e a “famigerada” caixa lá acabou por chegar também, por via aérea.
    Depois de tanta peripécia, no dia dos treinos o Lola lá estava, parecia... pronto para as “6 Horas”.
    Arrancou, deu 2 ou 3 voltas com o motor a falhar e encostou às boxes.
    Ao perguntarmos ao Oliveira (assim se chamava o mecânico) o que se passava, ele respondeu: “Uma pequena encrenquinha… vai resolver-se com facilidade..”
    Mas a encrenquinha foi tal que o Lola não mais andou.
    Às quatro da madrugada do dia da corrida, o Norman e o Balder, acompanhados do Dr. Pinto de Castro, meu médico em Nova Lisboa, batiam-me à porta porque queriam alugar o Porsche do Dr. Ivon Brandão a fim de participarem na prova.
    Custou-me muito ter de dizer-lhes que não podia autorizar porque o carro não estava inscrito.
    Custasse o que custasse, os regulamentos seriam cumpridos.
    Foi doloroso tomar esta decisão porque estava deitando um balde de água fria no entusiasmo daqueles dois simpáticos pilotos e porque, depois da hecatombe dos treinos, precisava de carros para a prova quase como “pão para a boca”.
    Assim, o Lola não participou na prova e… passados dias, aproveitando um avião que fora levar zebus para uma exploração pecuária, lá nos deixou rumo à Argentina.
    Tanto trabalho para nada. Tinha sido, de facto, uma verdadeira encrenquinha.
    No ano seguinte, a convite da organização, o Norman e o Balder voltaram a estar em Nova Lisboa e, desta vez, correram num Porsche 907 alugado ao André Wicky.
    Conversando com o Norman sobre o Lola disse-nos: “Aquele carro não estava destinado a correr… na primeira prova em que participou, depois da ida de Nova Lisboa, ardeu completamente.
    E assim terminou a vida do “encrenquinha” que tanto trabalho dos deu.
    Mas serviu-nos de lição pois, no ano seguinte, os carros de fora de Angola seguiram todos por via aérea.
    PS: há mais uma estória a acrescentar a esta, que tem a ver com a procura pelo Huambo, madrugada fora, de uma cambota de Chevrolet para substituir a do T70, mas não encontro...
    Última edição por asperezas : 03-12-2008 às 23:04
    http://forum.motorclassico.pt/image.php?type=sigpic&userid=8904&dateline=1232586  232

  17. #17
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    Por Defeito

    Isso mais parece um "encrencão"!
    R: "Top-posting"
    P: Qual a coisa mais irritante num fórum?

  18. #18
    Triciclo a Pedais Clássico Caldeira's Avatar
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    Por Defeito

    Duas achegas à história do Balder:

    O mecânico da dupla, o citado Oliveira tem aparecido noutro fórum, contando, basicamente, o que aqui se relata. Imaginem a felicidade do Armando ao reencontrar o Oliveira. As referências elogiosas às 6 Horas são comuns ao Balder e ao Oliveira.
    Alexandre Caldeira

  19. #19
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    A segunda, foi-me contada pelo Armando e confirmada pelo Jan, que diz que quando se encontrava com o Casari, sempre recordava com um sorriso a peripécia:

    A anteceder a prova, eram hasteadas as bandeiras e tocados os hinos dos países dos pilotos presntes. Avisado o Jan de que o hino holandês tocaria em sua honra, logo surgiu o pedido:
    "-Quando tocar o "meu" hino, avisem-me porque eu não o conheço!"

    A explicação é simples, o Jan vivia no Brasil desde os 6 anos e nunca ouvira o hino...
    Alexandre Caldeira

  20. #20
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    Por Defeito

    Quando tocar o "meu" hino, avisem-me porque eu não o conheço


    Alexandre, sabes onde pára a estória da cambota? Bota aí se a encontrares...
    http://forum.motorclassico.pt/image.php?type=sigpic&userid=8904&dateline=1232586  232

  21. #21
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    Eu não a tenho referenciada. Talvez o Armando a tenha contado nalgum sítio, mas eu não me lembro. Quem sabe não está naquele nosso primeiro ponto de encontro?

    Sobre o Jan, realçar aquilo que disseste sobre ele: é realmente uma pessoa de trato simples. A unica exigência que me fez foi de não o tratar por Sr.
    Alexandre Caldeira

  22. #22
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    Por Defeito

    E alguém (não sou eu, juro) anda a desafiar o Jan a vir a Portugal para se organizar uma Tertúlia...
    Alexandre Caldeira

  23. #23
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    Por Defeito Balder em Portugal



    Qdo isso acontecer, avisa!
    http://forum.motorclassico.pt/image.php?type=sigpic&userid=8904&dateline=1232586  232

  24. #24
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    Por Defeito Lola renascido

    Não renasceu propriamente, mas terá sido reconstruído em torno de algumas peças...

    Ver aqui, p/ex.
    http://forum.motorclassico.pt/image.php?type=sigpic&userid=8904&dateline=1232586  232

  25. #25
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    Cool Fotos do BMW do Jan Balder

    Amigo Adelino, quando tiver uma oportunidade, não esqueça de colocar as fotos que lhe enviei do BMW.

    Não serei o primeiro a realizar uma miniatura do 'Esquife', pois diversos coleccionadores Brasileiros o fizeram, mas também não serei o último, porque a 'coisa' é bastante curiosa.

    Era fixe se o Jan comentasse as fotos!

  26. #26
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    Por Defeito

    As fotos que apareçam que eu peço os comentários...
    Alexandre Caldeira

  27. #27
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    Por Defeito

    Aqui vão as fotos do BMW oferecidas pelo Joaquim Oliveira. Esta é a razão pela qual apareceu o BMW "Esquife"
    Attached Images
    Última edição por Adelino Dinis : 18-12-2008 às 19:08

  28. #28
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    Partida para uma prova em Interlagos.
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  29. #29
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    Por Defeito

    Outra prova em Interlagos:
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  30. #30
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